terça-feira, 24 de maio de 2011

simples

Queria ter dito um pouco mais, de fato. Cheio de sentimentos de altura. Há de ser eremita para as palavras? Que sentido há? Deste livro das perguntas, amor, sobra o frágil título de último. Não pude ser para todos os lados, mas fui para o seu. Não sei ser nem viver apesar, mas tenho ouvido melodia de amor. Por vezes ouço esse voo, que me leva. Não ousei escrever uma linha sobre a tal morte, amor, pois a pipa nunca cai do céu. Não ousei escrever uma linha sobre o tempo eterno, amor, pois começa agora, e só sei tal caminho.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

puro

Se eu pudesse, amor, eu te daria o maior dos versos. Haveria poucos nomes. Pensaria em Deus e te colocaria no verso ao lado.
Eu posso te dar o maior dos versos, amor, pois os cansados vivem em terra de braços, e hei de ver suas pequenas mãos curadas por um bom caminho de fim de setembro.

domingo, 24 de abril de 2011

como for

Distante das circunstâncias, pesava o abrir de uma janela esta noite. O frio, pouco exceção, preocupava o calor de um coração pequeno. Lembrando-se da poesia das estrelas, também veio à mente de que maneira poderiam estar em tão baixa temperatura em noite tão escura, em pedaço tão longe, em companhia tão misteriosa de Deus.

-Estrelas não têm muro nem proteção, mas são quentes como um coração bem-aventurado em gratidão, pois, meu amor, a noite acabou.

um pouco de céu, por favor

Seus passos eram livres e pequenos. Tão pequenos que não entendia de penhascos. Invertendo um verso, arte daqueles que acham amor nas tempestades - um pouco de céu, por favor-, questionou-se do romântico. Uma dor muito velha machucava seu estômago e, na borda de uma escolha qualquer, perguntou ao seu anjo se asas não chamariam muita atenção.

Ouviu-se:
-Quando o peso das circunstâncias ultrapassar a capacidade desse balão da vida, saberás continuar voando. De todas as confianças, sobreviverás porque nada te peço senão começos. Por você, eu faria tudo.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

partes

Faria várias primaveras hoje, se não fosse inundado por quedas e outros romantismos. Era a desordem das estações. Que era o inverno se não fogo ao coração? O outono se não tombos acabados em costume? Mais que observar, amava sem mapas. Menos que esquecer datas, sentia na pele mudanças que a sensibilidade estava conhecendo.

Com o coração na mão, mal sabia que há anos nascia milagre.



(Para Rosa, a aniversariante)

domingo, 10 de abril de 2011

o que importa

Presa à ansiosos versos que voltavam ao coração àquela noite, procurando suas duas estrelas mais importantes, nada mais viu, além de que elas estavam um pouco mais abaixo.

Pensou no amor e disse:
- Pergunto-me o que acontece. Estamos mais próximos do chão, meu amor, ou mais distantes ao horizonte?

E o amor disse:
- No céu. Estamos no céu.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

piloto cego

Talvez se levasse flores à dor... se soubesse que agora respira e a chuva também, e esta acabará sem ideia de arrependimento algum pela manhã.

E ainda que uma expressão melancólica pudesse dizer muito mais que um misterioso sorriso a um coração ouvinte, declamou:

-Não é só a dor que cola versos, meu amor. Desde semana passada, eu guardei minha voz para te dizer que eu sei da extensão do que te machuca e, mais do que isso, aprendi a te proteger destas tuas novas linhas. Soube sentir a inocência do que chamas de fim de noite, e te emprestei meu início de manhã para ti, meu amor, para que não sofras com a despedida dos dias.